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domingo, 27 de março de 2016

As classes sociais no pensamento de Karl Marx



As classes sociais no pensamento de Karl Marx

As classes sociais, para Marx, surgem a partir da divisão social do trabalho. Em razão dela, a sociedade se divide em possuidores e não detentores dos meios de produção.

As relações de produção regulam tanto a distribuição dos meios de produção e dos produtos quanto a apropriação dessa distribuição e do trabalho. Elas expressam as formas sociais de organização voltadas para a produção. Os fatores decorrentes dessas relações resultam em uma divisão no interior das sociedades.

Por ter uma finalidade em si mesmo, o processo produtivo aliena o trabalhador, já que é somente para produzir que ele existe. Em razão da divisão social do trabalho e dos meios, a sociedade se extrema entre possuidores e os não detentores dos meios de produção. Surgem, então, a classe dominante e a classe dominada (ou seja, a dos trabalhadores). O Estado aparece para representar os interesses da classe dominante e cria, para isso, inúmeros aparatos para manter a estrutura da produção. Esses aparatos são nomeados por Marx de infraestrutura e condicionam o desenvolvimento de ideologias e normas reguladoras, sejam elas políticas, religiosas, culturais ou econômicas, para assegurar os interesses dos proprietários dos meios de produção.
Percebendo que mesmo a revolução burguesa não conseguiu abolir as contradições entre as classes, Marx observou que ao substituir as antigas condições de exploração do trabalhador por novas, o sistema capitalista de produção em seu desenvolvimento ainda guarda contradições internas que permitem criar condições objetivas para a transformação social. Contudo, cabe somente ao proletariado, na tomada de consciência de classe, sair do papel de mero determinismo histórico e passar a ser agente dessa transformação social.

As contradições são expressas no aumento da massa de despossuídos, que sofrem com os males da humanidade, tais como a pobreza, doenças, fome e desnutrição, e o atraso tecnológico em contraste com o grande acúmulo de bens e riquezas em grandes centros financeiros e industriais. É só por meio de um processo revolucionário que os proletários de todo o mundo, segundo Marx, poderiam eliminar as condições de apropriação e concentração dos meios de produção existentes. Acabando a propriedade desses meios, desapareceria a burguesia e instalar-se-ia, transitoriamente, uma ditadura do proletariado até que se realizem as condições de uma forma de organização social comunista.

Sabemos que esse ideal inspirou a Revolução Russa de 1917, com a criação da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), que foi a primeira tentativa de um governo dos trabalhadores tendo em vista a construção da sociedade comunista. No entanto, os fracassos dessa experiência ainda nos permitem pensar no papel da propriedade privada no interior da sociedade. Se ela provoca as desigualdades, mas também a sua forma de uso coletivo não se mostrou adequada, como pensar, nos dias de hoje, a relação entre política e economia? Ainda que não haja respostas contundentes sobre esse assunto, parece ser o desafio do nosso tempo enxergar as contradições do sistema e buscar, de modo adequado, tomar consciência de que a transformação exige a participação de todos.

Assim, parece inquestionável o papel de Marx para os pensadores de nossos dias. Ainda que a solução encontrada por esse autor tenha ganhado concretude (fiel ou não a ele), é importante retomar sua crítica ao sistema visando sanar as contradições que estão evidenciadas em nosso cotidiano.

Por João Francisco P. Cabral
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU
Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP

sexta-feira, 18 de março de 2016

Anarquia



Anarquia

Fonte:< http://www.infoescola.com/politica/anarquia/>. Acesso: 18/03/2016

Anarquia é um conceito político que prega a eliminação de qualquer forma de governo compulsório.
A origem do anarquismo é considerada por alguns como algo bem antigo, o que é justificado através de diversos textos de autores de um passado distante. Porém, sem dúvida, o anarquismo em sua forma moderna é bem datado, fruto do Iluminismo e especialmente das ideias do filósofo Jean Jacques Rousseau em torna da centralidade moral da liberdade. Outros intelectuais vieram depois formulando concepções políticas e econômicas do anarquismo até chegar a ideia de ausência total de um Estado e formação de sociedades voluntárias. O primeiro a efetivamente se declarar anarquista foi o filósofo francês Pierre Joseph Proudhon, considerado por algumas pessoas como fundador da teoria moderna do anarquismo.

A ideologia da Anarquia ganhou vários seguidores e desempenhou um importante papel entre as sociedades do século XX, momento em que repercutiu com maior força. O anarquismo esteve presente os seguidores da Revolução Russa de 1917 e nos movimentos civis da Espanha, por exemplo. A ideologia conquistou muitos trabalhadores europeus, que trouxeram as ideias quando migraram para o Brasil nas décadas finais do século XIX e nas décadas iniciais do século XX. Em território brasileiro, os imigrantes, sobretudo italianos, ajudaram a difundir os preceitos do anarquismo entre os trabalhadores e a ideologia anarquista foi fundamental para a eclosão das primeiras greves brasileiras ocorridas na década de 1910. Até a Segunda Guerra Mundial, o anarquismo permaneceu muito forte entre os movimentos operários, mas depois perdeu a característica de movimento de massa. Ainda assim, continuou influenciando revoltas populares como o Maio de 68, na França, o anti-Poll Tax, no Reino Unido, e os protestos nas reuniões da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Anarquia, ao contrário do que imagina a cultura popular, nada tem a ver com a ausência de ordem. Mas sim com a ausência de coerção. Ou seja, anarquistas são basicamente contra qualquer ordem hierárquica que não seja livremente aceita. A noção equivocada do movimento foi promovida pela oposição politica e movimentos religiosos ao longo do século XX. Da mesma forma, ataca-se erroneamente o anarquismo acusando-o de ser um movimento sem solidariedade, enquanto, na verdade, o anarquismo tem como preceito básico o auxílio mútuo entre os homens.

O anarquismo, para bem saber, passa por preceitos que são fundamentais. O anarquismo é a emergência de um sentimento puro que permite a cada um desenvolver seu próprio instrumento intelectual, ou seja, é um princípio de não-doutrinação. Talvez o mais conhecido dos conceitos anarquistas seja o da revolução social, que consiste na quebra do Estado e de suas estruturas. É dele que vem a perspectiva do humanismo, defendendo que os grupos humanos seriam capazes de se organizarem de forma autônoma e não hierárquica. O que se liga ao conceito de antiautoritarismo. Todo esse panorama permitiria a liberdade necessária para qualquer pensamento, formulação ou ação anarquista. Rejeitam também a intermediação de políticos na resolução de problemas sociais, defendendo a ação direta e o apoio mútuo. Essas medidas devem ser difundidas, consistindo no conceito de internacionalismo. Os anarquistas compreendem as revoltas como importante substrato humano para o desenvolvimento social. Após a introdução desses conceitos, uma sociedade anarquista deveria ser baseada em uma educação avançada como base de coexistência harmônica. Como negam a hierarquia e as estruturas organizacionais, a sociedade anarquista deveria ser baseada na flexibilidade e na naturalidade das organizações. Essa sociedade seria organizada através de um federalismo libertário, que subdividiria a sociedade de modo que pudesse potencializar as interações humanas e sociais. E, claro, todos os indivíduos teriam responsabilidades individuais e coletivas.

Ainda assim, como acontece nas ideologias humanas, o anarquismo também não é único, é formado por várias vertentes interpretativas. Uma delas é a do mutualismo, que propõe uma ordem espontânea sem uma autoridade central e em um modelo de sociedade que se preocupa com a reciprocidade. A vertente individualista do anarquismo enfatiza a vontade do indivíduo sobre quaisquer tipos de determinantes externos. Já a vertente social do anarquismo defende um sistema de propriedade público dos meios de produção e também o controle democrático das instituições. Representa a maior escola de pensamento anarquista. Há ainda as numerosas correntes pós-clássica, como o anarcofeminismo, que une o feminismo radical e o anarquismo, e o anarquismo pós-esquerdismo, que procura se afastar da esquerda política tradicional.

Fascismo



Fascismo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Fonte:< https://pt.wikipedia.org/wiki/Fascismo>. Acesso: 18/03/2016

Fascismo é uma forma de radicalismo político autoritário nacionalista[2] [3] que ganhou destaque no início do século XX na Europa. Os fascistas procuravam unificar sua nação através de um Estado totalitário que promove a vigilância,[4] um estado forte, a mobilização em massa da comunidade nacional,[5] [6] confiando em um partido de vanguarda para iniciar uma revolução e organizar a nação em princípios fascistas[7] hostis a todas as vertentes do marxismo, desde o comunismo totalitário ao socialismo democrático.[8]
Os movimentos fascistas compartilham certas características comuns, incluindo a veneração ao Estado, a devoção a um líder forte e uma ênfase em ultranacionalismo, etnocentrismo e militarismo. O fascismo vê a violência política, a guerra, e o imperialismo como meios para alcançar o rejuvenescimento nacional[5] [9] [10] [11] e afirma que as nações e raças consideradas superiores devem obter espaço deslocando ou eliminando aquelas consideradas fracas ou inferiores,[12] como no caso da prática fascista modelada pelo nazismo.[13]
O fascismo tomou emprestado teorias e terminologias do socialismo, mas aplicou-as sob o ponto de vista que o conflito entre as nações e raças fosse mais significativo, do que o conflito de classes e teve foco em acabar com as divisões de classes dentro da nação.[14] Defendeu uma economia mista, com o objetivo principal de conseguir autarquia para garantir a auto-suficiência, e a independência nacional através de protecionismo e políticas econômicas que intercalam intervencionismo e privatização.[15] [16] [6] O fascismo sustenta o que é, às vezes, chamado de Terceira posição entre o capitalismo e o socialismo marxista.[17]
Influenciados pelo sindicalismo nacional, os primeiros movimentos fascistas surgiram na Itália, cerca da Primeira Guerra Mundial, combinando elementos da política de esquerda[18] com mais tipicamente a política de direita, em oposição ao socialismo, ao comunismo, à democracia liberal e, em alguns casos, ao conservadorismo tradicional. Embora o fascismo seja geralmente colocado na extrema-direita[19] no tradicional espectro esquerda-direita, alguns comentaristas argumentam que a descrição é inadequada.[20] [21] [22] [23] Benito Mussolini, em A Doutrina do Fascismo, afirmou que o fascismo era uma ideologia de direita.[24] [25]

Etimologia

O termo fascismo é derivado da palavra em latim fasces.[26] um feixe de varas amarradas em volta de um machado,[27] foi um símbolo do poder conferido aos magistrados na República Romana de flagelar e decapitar cidadãos desobedientes.[1] Eram carregados por lictores e poderiam ser usados para castigo corporal e pena capital a seu próprio comando.[28] [29] Mussolini adotou esse símbolo para o seu partido, cujos seguidores passaram a chamar-se fascistas.[30]
O simbolismo dos fasces sugeria "a força pela união": uma única haste é facilmente quebrada, enquanto o feixe é difícil de quebrar.[31] Símbolos semelhantes foram desenvolvidos por diferentes movimentos fascistas. Por exemplo, o símbolo da Falange Espanhola é composto de cinco flechas unidas por uma parelha.[32]

Definições

Historiadores, cientistas políticos e outros estudiosos têm debatido por muito tempo a natureza exata do fascismo.[33] Cada forma de fascismo é diferente, deixando muitas definições amplas ou restritas demais.[34] [35]
Roger Griffin descreve o fascismo como "um gênero de ideologia política cujo núcleo mítico em suas várias permutações é uma forma palingenética de ultranacionalismo populista".[20] Griffin descreve a ideologia como tendo três componentes principais: "(i) o mito do renascimento, (ii) populista ultra-nacionalismo e (iii) o mito da decadência".[20] O fascismo é "uma forma verdadeiramente revolucionária, anti-liberal, multiclasse, e, em última análise, nacionalista anti-conservadora" construído sobre uma complexa gama de influências teóricas e culturais. Ele distingue um período entre-guerras quando se manifestou através de "partidos políticos armados" liderados por elites populistas se opondo ao socialismo e ao liberalismo e prometendo uma política radical para salvar o país da decadência.[36]
Emilio Gentile descreve o fascismo com os seguintes dez elementos constitutivos:[37]
  1. um movimento de massa de adesão multiclasse em que prevalecem, entre os líderes e os militantes, os setores médios, em grande parte, novos na atividade política, organizados como uma milícia partidária, que baseiam sua identidade não em hierarquia social ou origem de classe, mas em um sentido de camaradagem, acredita-se investido de uma missão de regeneração nacional, considera-se em estado de guerra contra adversários políticos e visa conquistar o monopólio do poder político por meio do terror, política parlamentar e acordos com grupos maiores, para criar um novo regime que destrói a democracia parlamentar;
  2. uma ideologia "anti-ideológica" e pragmática que se proclama antimaterialista, anti-individualista, antiliberal, antidemocrática, anti-marxista, mas populista e anticapitalista em tendência, se expressando esteticamente mais que, teoricamente, por meio de um novo estilo de política e por mitos, ritos e símbolos, como uma religião leiga projetada para aculturar, socializar e integrar a fé das massas com o objetivo de criar um "novo homem";
  3. uma cultura fundada no pensamento místico e o no sentido trágico e ativista da vida concebida como a manifestação da vontade de poder, sobre o mito da juventude como artífice da história, e na exaltação da militarização da política como modelo de vida e atividade coletiva;
  4. uma concepção totalitária do primado da política, concebida como uma experiência de integração para realizar a fusão do indivíduo e das massas na unidade orgânica e mística da nação como uma comunidade étnica e moral, a adoção de medidas de discriminação e perseguição contra aqueles considerados fora desta comunidade quer como inimigos do regime ou membros de raças consideradas inferiores ou perigosas para a integridade da nação;[13]
  5. uma ética civil, fundada em total dedicação à comunidade nacional, sobre a disciplina, a virilidade, a camaradagem e o espírito guerreiro;
  6. um Estado de partido único que tem a tarefa de prover a defesa armada do regime, a seleção de seus quadros de direção e organização das massas no interior do estado, em um processo de mobilização permanente de emoção e da fé;
  7. um aparato policial que impede, controla e reprime a dissidência e a oposição, mesmo usando o terror organizado;
  8. um sistema político organizado pela hierarquia de funções nomeadas a partir do topo e coroado pela figura de "líder", investido com um carisma sagrado, que comanda, dirige e coordena as atividades do partido e do regime;
  9. organização corporativa da economia que suprime a liberdade sindical, amplia a esfera de intervenção do Estado, e visa alcançar, por princípios de tecnocracia e solidariedade, a colaboração dos "setores produtivos" sob o controle do regime, para alcançar seus objetivos de poder, ainda preservando a propriedade privada e as divisões de classe;
  10. uma política externa inspirada no mito do poder nacional e grandeza, com o objetivo de expansão imperialista.
Emilio Gentile
Stanley Payne descreve o fascismo em três setores de características: sua ideologia e objetivos; suas negações; e seu estilo e organização, conforme a seguir detalhado:[38]
  • "A. A ideologia e os objetivos"
    • "Adoção de uma filosofia idealista, vitalista e voluntarista, normalmente envolvendo a tentativa de realizar uma nova cultura auto-determinada, secular e moderna"
    • "Criação de um novo Estado autoritário nacionalista não baseado em princípios ou modelos tradicionais"
    • "Organização de uma nova estrutura econômica nacional integrada, altamente regulada, multiclasse; seja chamada de corporativista nacional, nacional-socialista, nacional sindicalista"
    • "Avaliação positiva e uso, ou vontade de usar a violência e a guerra"
    • "O objetivo do império, expansão ou uma mudança radical na relação do país com as outras potências"
  • "B. As negações fascistas"
    • "Antiliberalismo"
    • "Anticomunismo"
    • "Anticonservacionismo (embora com o entendimento de que grupos fascistas estavam dispostos a realizar alianças temporárias com outros setores, mais comumente com a direita)"
  • "C. O estilo e a organização"
    • "Tentativa de mobilização de massas com a militarização das relações políticas e estilo e com o objetivo de uma milícia de massa de partido único"
    • "Ênfase na estrutura estética em encontros, símbolos e liturgia política, enfatizando aspectos emocionais e místicos"
    • "Estresse extremo no princípio masculino e na dominação masculina, enquanto defendendo uma visão fortemente orgânica da sociedade"
    • "Exaltação da juventude acima de outras fases da vida, enfatizando o conflito das gerações, pelo menos, para efetuar a transformação política inicial"
    • "Tendência específica em direção a um estilo autoritário, carismático e pessoal de comando, se o comando for, em certa medida, inicialmente eletivo"[38]
Paxton vê o fascismo como "uma forma de comportamento político marcado pela preocupação obsessiva com o declínio da comunidade, humilhação ou vitimização e pelo culto compensatório da unidade, energia e pureza, na qual um partido de massas de militantes nacionalistas comprometidos, trabalhando em inquieta, mas colaborativamente efetiva com as elites tradicionais, abandona as liberdades democráticas e persegue com violência redentora e sem restrições éticas ou legais de limpeza interna e expansão externa".[39]
Uma definição comum de fascismo se concentra em três grupos de ideias:
  • As negações fascistas de anti-liberalismo, anti-comunismo e anti-conservadorismo.
  • Objetivos nacionalistas e autoritários para a criação de uma estrutura econômica regulada para transformar as relações sociais dentro de uma cultura moderna, auto-determinada.
  • Uma estética política usando simbolismo romântico, mobilização em massa, visão positiva da violência, promoção da masculinidade e da juventude e liderança carismática.[40] [41] [42]
Posição no espectro político

O fascismo é comumente descrito como "extrema-direita"[43] [44] embora alguns autores têm encontrado dificuldade em colocar o fascismo em um espectro político esquerda-direita convencional.[45] [46] [47] [48] [7] O fascismo foi influenciado pela esquerda e pela direita, conservadores e anti-conservadores, nacionais e supranacionais, racionais e anti-racionais.[36] Um número de historiadores têm considerado o fascismo ou como uma doutrina centrista revolucionária, ou uma doutrina que mistura filosofias da esquerda e da direita, ou como ambas as coisas,[48] [7] não existindo assim, um puro centro, indistinto e não adjetivado, nem uma pura posição extrema.[49]
O fascismo é considerado por alguns estudiosos como de extrema-direita por causa de seu conservadorismo social e meios autoritários de oposição ao igualitarismo.[50] [51] Roderick Stackleberg coloca o fascismo, incluindo o nazismo, que ele diz ser "uma variante radical do fascismo", do lado direito, explicando que "quanto mais a pessoa considerar a igualdade absoluta entre todos os povos para ser uma condição desejável, mais à esquerda vai estar no espectro ideológico. Quanto mais uma pessoa considera a desigualdade como inevitável ou mesmo desejável, o mais para a direita será".[52]
O fascismo italiano gravitou para a direita no início de 1920.[53] [54] Um elemento importante do fascismo, que tem sido considerado como claramente de extrema-direita é o seu objetivo de promover o direito das pessoas alegadamente superiores terem dominação enquanto removendo elementos ditos inferiores da sociedade.[55]
Benito Mussolini em 1919 descreveu o fascismo como um movimento que atingiria "contra o atraso da direita e a destrutividade da esquerda".[56] Mais tarde, os fascistas italianos descreveram o fascismo como uma ideologia de extrema-direita em seu programa político A Doutrina do Fascismo, afirmando: "Somos livres para acreditar que este é o século da autoridade, um século tendendo para a 'direita', um século fascista".[57] [58] No entanto, Mussolini esclareceu que a posição do fascismo no espectro político não era um problema sério para os fascistas e declarou que:
Fascismo, sentado à direita, também poderia ter sentado na montanha do centro... Estas palavras, de qualquer caso, não tem um significado fixo e imutável: eles têm um assunto variável em localização, tempo e espírito. Nós não damos a mínima para essas terminologias vazias e desprezamos aqueles que são aterrorizados por essas palavras. Benito Mussolini[59]
A posição de direita política no movimento fascista italiano no início de 1920 levou à criação de facções internas. A "esquerda fascista" incluiu Michele Bianchi, Giuseppe Bottai, Angelo Oliviero Olivetti, Sergio Panunzio e Edmondo Rossoni, que estavam comprometidos com o avanço do sindicalismo nacional como um substituto para o liberalismo parlamentar a fim de modernizar a economia e avançar os interesses dos trabalhadores e do povo.[60]
A "direita fascista" incluiu membros do paramilitar Squadristi e ex-membros da Associazione Nazionalista Italiana (ANI).[60] Os squadristi queriam estabelecer o fascismo como uma ditadura completa, enquanto os ex-membros ANI, incluindo Alfredo Rocco, procuravam um estado corporativista autoritário para substituir o Estado liberal na Itália, mantendo as elites existentes. No entanto, após acomodar a direita política, surgiu um grupo de fascistas monarquistas, que procuraram usar o fascismo para criar uma monarquia absoluta sob o rei Vítor Emanuel III da Itália.[60]
Depois que Vítor Emanuel III forçou Mussolini a renunciar como chefe de governo e o colocou na prisão, em 1943, Mussolini foi resgatado por forças alemãs e então passou a depender da Alemanha para ter apoio. Mussolini e os demais fascistas leais fundaram a República Social Italiana, com Mussolini como chefe de Estado. Mussolini procurou radicalizar o fascismo italiano, declarando que o Estado fascista havia sido derrubado porque o fascismo italiano tinha sido subvertido pelos conservadores e a burguesia italianos. Em seguida, o novo governo fascista propôs a criação de conselhos de trabalhadores e participação nos lucros da indústria, no entanto a autoridade alemã que efetivamente controlava o território da República Social (norte da Itália), neste ponto, ignorou estas medidas e não procurou aplicá-las.[61]
Vários movimentos fascistas descreveram-se como um "terceira posição" fora do espectro político tradicional.[62] O líder falangista espanhol José António Primo de Rivera disse:
Basicamente, a direita significa a manutenção de uma estrutura econômica, ainda que uma injusta, enquanto a esquerda tenta subverter essa estrutura econômica, embora a subversão da mesma implicaria a destruição de muita coisa que vale a pena.[63]
Na análise política contemporânea, pode-se caracterizar o fascismo por uma "especificidade perturbadora". Por um lado, trata-se de doutrina claramente antimarxista, antidemocrática e que no regime italiano gerou a perseguição da classe operária. Por outro lado, professou o antiliberalismo com uma retórica revolucionária anticapitalista e antiburguesa