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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Mudanças climáticas contribuíram para guerra na Síria



Mundo

"Mudanças climáticas contribuíram para guerra na Síria"

Estudo aponta que agravamento das secas e deslocamento da população estão ligados à eclosão do conflito. Regime Assad só estava preocupado com situação econômica no curto prazo, afirma pesquisador em entrevista à DW.
Um estudo recente publicado na revista científica americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) aponta que as mudanças climáticas globais foram um dos fatores que contribuíram para fazer eclodir a guerra civil na Síria, em 2011.
O principal autor da pesquisa é Colin Kelley, pós-doutorando do Departamento de Geografia da Universidade de Santa Barbara, na Califórnia. Em entrevista à DW, ele afirma que entre os elementos centrais de conexão entre o clima e o conflito sírio estiveram o agravamento das secas causado pelo aquecimento global, a destruição das colheitas e o consequente deslocamento da população.

DW: A guerra civil na Síria começou há mais de quatro anos, em março de 2011. O que o senhor quer dizer quando afirma que as mudanças climáticas contribuíram para o conflito?

Colin Kelley: Há uma clara sequência de eventos [climáticos] antes da insurreição, por exemplo: uma tendência ascendente na temperatura ao longo dos últimos 85 a 100 anos. Nos últimos 25 anos, houve três secas. A última, pouco antes do início do conflito, durou entre três e quatro anos e foi a mais severa já registrada. Então, nos perguntamos: quão severas essas secas teriam sido sem a tendência ascendente da temperatura, que presumimos ser induzida pelo homem? E descobrimos que haveria uma grande diferença no grau de severidade. Portanto, isso apontou as mudanças climáticas como um fator que contribuiu para a seca.

Qual foi o impacto da seca?

Ela foi tão severa que basicamente causou o colapso da agricultura na região nordeste [da Síria], cujos habitantes dependiam muito da produção de trigo. Com a seca e a perda da safra, muitos fazendeiros deixaram suas localidades, e começou uma migração em massa para as cidades. Isso foi logo depois de os Estados Unidos terem começado a intervenção militar no Iraque. Então, combinando isso com o crescimento natural da população, houve um tremendo choque demográfico nas cidades do oeste da Síria.
O acréscimo populacional chegou a 50% entre 2002 e 2010, e os recursos simplesmente não bastaram para lidar com ele. O governo [do presidente sírio Bashar al-] Assad também fez muito pouco para apoiar essa população. Portanto, todos esses fatores se encontraram e empurraram [os sírios] para além do limite de resistência deles.

É possível quantificar cientificamente a alta da temperatura e o crescimento demográfico. Mas pode-se medir o papel das mudanças climáticas, em relação a outros fatores como a falta de liberdade de expressão, a Primavera Árabe nos outros países, e assim por diante?

É muito difícil, talvez impossível, quantificar cada um dos efeitos que confluíram para causar a revolta. Também havia muito pouca informação disponível sobre quantas pessoas seguiram para qual cidade. Porque essa informação igualmente era guardada a sete chaves pelo governo sírio e porque a situação era simplesmente muito caótica.
Mas temos informações bastante confiáveis sobre as estimativas populacionais do crescimento total. Se você tem esse crescimento e não dispõe de recursos suficientes para lidar com ele, não é difícil imaginar como isso pode contribuir para a revolta que ocorreu. As mudanças climáticas agiram como um potencializador da ameaça.

Seca de 2009 também devastou o vizinho Iraque

O que se poderia ter feito para prevenir o conflito, nesse contexto?

Na nossa publicação, mencionamos que um grande número de fatores contribuiu para o nível de vulnerabilidade da Síria. Por exemplo, o país dava uma grande ênfase á produção de trigo, que perfazia 25% do Produto Interno Bruto (PIB). Depois da seca, esse número despencou, e quase do dia para a noite a Síria passou de exportadora líquida a importadora líquida de trigo.
A safra de trigo depende fortemente das chuvas de ano para ano, mas também no nível do lençol freático. E este se esgotou bem para além dos limites da sustentabilidade. Mas o regime Assad não estava preocupado com o que pudesse acontecer no futuro, mas só em melhorar a própria posição econômica no curto prazo.

Como as mudanças climáticas afetam a atual situação da Síria, e que papel desempenharão no futuro?

Os modelos climáticos sugerem que essa região vai continuar a ficar mais seca ao longo do século 21 – e isso certamente é alarmante. Mesmo que o conflito chegasse logo ao fim, isso representará um problema real para os agricultores, por exemplo, que estão tentando compor uma base de subsistência sustentável.

Que passos deverão ser tomados?

É preciso que se pense mais no longo prazo, que haja um foco real sobre os tipos de eventos passíveis de ocorrer com frequência, no futuro. Tem havido uma carência disso, e não só na Síria. Os políticos só cumprem um mandato curto, eles não atuam por 50 ou 100 anos. Por isso, se dá muita ênfase ao futuro próximo, e muito menos ao de longo prazo. Acho que esse tipo de questão [de longo prazo] está realmente ficando cada vez mais importante.




Fonte:.  Acesso: 26/12/2016.

domingo, 18 de setembro de 2016

Determinismo X Possibilismo


Determinismo
Possibilismo
Origem Alemanha França
Principais defensores Friedrich Ratzel (idealizador)Defensores: Ellem Semple, Elsworth Hungtington,……. Paul Vidal de La Blache (idealizador)Defensores: E. Demartonne, J. Brunhes, A. Demageon, …..
Contexto histórico Unificação reacionária (e tardia) do império Alemão sob as mãos de Bismack. Terceira República Francesa e conflito de interesses com a Alemanha
Objeto da geografia Estudo da influência que a natureza exerce sobre o Homem. A relação Homem-Natureza é percebida a partir da interpretação da paisagem.
Relação Homem X Natureza A Natureza determinaria o sucesso ou o fracasso de um povo. O homem passa a ser ativo, podendo abrir possibilidades de desenvolvimento diante da paisagem.
Principais conceitos defendidos – Espaço Vital: Estabelecida através da obtenção do equilíbrio entre a população e os recursos disponíveis em dado espaço de forma que se garanta a sua sobrevivência e desenvolvimento.- Forneceu as bases para o desenvolvimento da Geopolítica; Gênero de vida: Conjunto de técnicas e costumes passados no decurso histórico de um povo em seu processo de adaptação e, ou transformação do meio natural buscando garantir a sobrevivência e desenvolvimento da população.
Pragmatismo marcante Defesa do expansionismo Germânico; Defesa do colonialismo Francês e crítica ao expansionismo germânico.

Fonte de pesquisa:

MORAES, Antonio Carlos Robert. Geografia; Pequena História Crítica. 20 ª Ed. São Paulo: Anablume, 2005. Adquira o livro
ANDRADE, Manuel Correia de Andrade. Geografia: Ciência da sociedade. Ed. universitária da UFPE, 2006. Adquira o livro.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Desigualdade Social



Desigualdade Social no Brasil

A Desigualdade Social no Brasil é um problema que afeta grande parte dos brasileiros, embora nos últimos anos, as estatísticas apontem para sua diminuição. Resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad-2011) na avaliação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), demonstram a diminuição da pobreza e consequentemente da desigualdade social no Brasil.

Causas e Consequências

Decorrente, essencialmente, da má distribuição de renda, as consequências da desigualdade social no Brasil são observadas na favelização, pobreza, miséria, desemprego, desnutrição, marginalização, violência. A despeito do Brasil estar entre os dez países do mundo com o PIB mais alto, é o oitavo país com o maior índice de desigualdade social e econômica do mundo. Estudiosos propõem soluções para o problema, dentre eles: aliar democracia com eficiência econômica e justiça social.

Segundo relatório de ONU (2010) as principais causas da desigualdade social são:
  • Falta de acesso à educação de qualidade
  • Política fiscal injusta
  • Baixos salários
  • Dificuldade de acesso aos serviços básicos: saúde, transporte público e saneamento básico
Coeficiente de Gini

Desenvolvido pelo demógrafo, estatístico e sociólogo italiano, Corrado Gini (1884-1965), no ano de 1912, o "Coeficiente ou Índice de Gini" mede as desigualdades de uma sociedade, por exemplo, de renda, de riqueza e de educação. No Brasil, em 2011 o índice de Gini, na área social, foi de 0,527 demonstrando o menor número desde 1960 (0,535). Na lógica do sistema de Gini, quanto mais próximo de zero, menor é a desigualdade.

Cadastro Único

Também conhecido por "CadÚnico", o "Cadastro Único para Programas Sociais" foi criado durante o governo do Fernando Henrique Cardoso, em 2001. O Cadastro é um instrumento responsável pela coleta de dados e informações a fim de identificar todas as famílias de baixa renda existentes no Brasil. Não obstante, objetiva a inclusão por meio de programas de assistência social e redistribuição de renda.

Plano Brasil Sem Miséria (BSM)

O Plano Brasil Sem Miséria, criado em 2011, tem como principal objetivo desenhar o mapa de pobreza do Brasil. Para isso, o plano propõe o rompimento de barreiras sociais, políticas, econômicas e culturais que segregam pessoas e regiões; em outras palavras, objetiva, no campo e na cidade, identificar e inscrever as pessoas de baixa renda que, por algum motivo, não recebem auxílios, como por exemplo, o Bolsa Família.
No campo, onde está concentrada a maior parcela, ou seja, 47 % do público do plano, as estratégias para o meio rural, focadas na produção do agricultor são: Assistência Técnica, Fomento e Sementes, Programa Água para Todos, Acesso aos mercados (Programa de Aquisição de Alimentos - PAA) e Compra da Produção.
Por outro lado, na cidade, o foco está nas oportunidades de trabalho para os mais pobres. Dentre as estratégias propostas pelo Plano estão: Mapa de Oportunidades, Qualificação de Mão de Obra, Intermediação Pública de Mão de Obra, Ampliação da Política de Microcrédito e Incentivo à Economia Popular e Solidária.
Além disso, em parceria com o Ministério da Educação (MEC), o Plano Brasil Sem Miséria (BSM), no âmbito do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), é responsável por coordenar a oferta de vagas dos cursos de formação inicial e continuada com ênfase na qualificação profissional. Para tanto, a meta do Plano Brasil Sem Miséria, prevê a capacitação de um milhão de pessoas inscritas no "Cadastro Único" até 2014.

Curiosidades
  • Segundo o Fórum Econômico Mundial (2013), a principal causa das manifestações ocorridas no Brasil em 2013 foi a desigualdade social.
  • No Brasil, estima-se que 16 milhões de pessoas ainda permanecem na pobreza extrema.
  • Nos últimos anos, 28 milhões de brasileiros saíram da pobreza absoluta e 36 milhões entraram na classe média.
  • Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), as transferências do Programa Bolsa Família são responsáveis por 13% da redução da desigualdade.
  • Dentre os Programas Públicos Sociais do Brasil: Bolsa Família, Previdência Rural, Brasil Alfabetizado, Saúde da Família, Brasil Sorridente, Mais Educação, Rede Cegonha.
  • O Data Social é banco de dados e de indicadores que permite visualizar o panorama social, perfil econômico e estrutura demográfica de municípios e estados brasileiros.
  • A Identificação de Localidades e Famílias em Situação de Vulnerabilidade (IDV) é uma ferramenta de construção de mapas que apresenta dados, indicadores de pobreza, situações de vulnerabilidade, bem como grupos populacionais específicos ao nível de estados, municípios e setores censitários do Brasil.