LINKS E PESQUISAS

sábado, 24 de junho de 2017

Ilha das Flores

Ilha das Flores
1989 ‧ Curta-metragem/Documentário ‧ 15 min
Ilha das Flores é um filme de curta-metragem brasileiro, do gênero documentário, escrito e dirigido pelo cineasta Jorge Furtado em 1989, com produção da Casa de Cinema de Porto Alegre.

Filme Ilha das Flores – resenha crítica

O sistema capitalista tem organização central simples: troca de dinheiro por coisas.  O dinheiro – capital – é, portanto, o cerne do sistema. Mas o que acontece, então, com quem não possui o capital? As relações existentes no sistema ocorrem de maneira justa? Todos têm as mesmas possibilidades de acesso ao capital? O documentário/filme “Ilha das Flores” mostra, camuflado em simplicidade, a profundidade de tais questões.
O sistema de trocas é, como dissemos, a engrenagem básicas das sociedades capitalistas. Para realizar a maior parte das trocas é necessários possuir capital. Outras trocas são realizadas para obtenção desse capital: trabalho por capital; coisas por capital ou mesmo capital por mais capital.
Tudo simples, portanto. Mas o que acontece com quem não tem capital ou mesmo o que trocar pelo tal capital?
A condição individual de falta de capital ou de poder de troca é conhecida como pobreza. Como sobreviver sem capital em uma sociedade quase que totalmente baseada no capital? A falta de resposta para tal pergunta leva seres humanos a viverem em condições inferiores à de alguns animais, como demostrado no documentário. A comparação dos “catadores” com o porco foi sublime. Aqueles estariam abaixo do animal na escala de preferência pelos alimentos pelo fato deste, o suíno, possuir um dono, e aqueles nem isso.
A renda é, portanto, o principal fator para definição de uma situação de pobreza. A total falta de renda, conforme exemplo do documentário, estabelece uma situação de pobreza absoluta, assim como assevera SANTOS (2012, p. 17):
Assim, aqueles cuja renda se situe abaixo do custo dessas necessidades são considerados pobres. E, aqueles que têm rendimentos ainda menores, os quais não permitem a aquisição sequer de uma cesta de alimentos básica, essencial ao suprimento de necessidades nutricionais mínimas, são denominados indigentes.
Importante salientar, contudo, que não somente a renda determina a situação de pobreza de um determinado grupo de indivíduos. Acesso – ou falta dele – a outras “garantias constitucionais” como educação, saúde, habitação cultura e outros também são indicativos de fragilidade social. Conforme exemplo exposto no documentário, os “catadores” ali mostrados não só viviam em condições de completa falta de potencial financeiro, mas também não possuíam condições mínimas de qualidade de vida. Seu “invólucro” social é de escassez, como esperar que seres humanos inseridos nesta triste realidades tenham condições, por si só, de mudar de posição?
Essa diferenciação entre “posições sociais” é o que se convencionou chamar de Desigualdade Social. Em uma sociedade capitalista existem, invariavelmente, níveis de potencial social e financeiro. Enquanto alguns possuem muito, outros mal conseguem para sua subsistência. Uma análise mais apurada do sistema mostra sua completa crueldade.
O que já possuem “coisas” ou capital (indústria de perfumes do documentário) tem grande facilidade de trocá-los por mais capital, possuindo mais coisas, mais capital e trocando por mais coisas e mais capital, num fluxo sem fim de enriquecimento. Quem possui poucas coisas e pouco capital (vendedora de perfumes), constrói toda sua vida na troca do que possui pelo suficiente para sobreviver. Os que nada possuem (catadores), seguem apenas o instinto natural humano de sobrevivência.
Vale frisar, embora seja bastante claro, que vivemos em sociedade, forma que as pessoas que compõem a estrutura social deveriam possuir, pelo menos, condições mínimas de sobrevivência, sem exceção. Fazer ou não, efetivamente, parte dessa estrutura social, nos leva exclusão e cidadania.
De acordo com SANTOS (2012, p. 21) “(…) exclusão, em sua semântica original, significa o não pertencimento a determinado grupo ou condição”. Não pertencer a nenhum grupo, em primeira análise, pode não possuir nada de negativo. Contudo, quando o foco da problemática são pessoas e sociedade, trata-se de um grave problema. Os “catadores” do documentário, por exemplo, faziam parte de um grupo: indigentes. Contudo, estar “incluído” neste grupo, significa estar “excluído” da sociedade. Conforme exemplo do documentário, o porco estaria mais “incluído” socialmente que os “catadores”, já que o suíno, pelo menos, possuía acesso garantido à alimentação.
Sem qualquer tipo de exagero filosófico, podemos afirmar que, no caso em tela, o porco seria “mais cidadão” que os “catadores”, já que, conforme SANTOS (2012, p. 22): “Um indivíduo que desfruta da condição de cidadão é aquele que goza dos direitos consignados pelo Estado, bem como da possibilidade de acesso a uma renda adequada, que lhe permita desfrutar de um padrão de vida comum a seus concidadãos”.
Com base nesse conceito, queda evidente que as condições vivenciadas pelos “catadores” em nada os colocam na condição de cidadãos, pois estes não têm, nem de longe, o “padrão de vida” de seus concidadãos.
Interessante frisar, neste ponto, que tendo em vista a organização insana do sistema capitalista, pessoas que vivem nas condições mostradas no documentário tem pouca, ou nenhuma, chance de alterarem, por si só, suas condições de vida. Isso nos leva a questionar a ideia de justiça do sistema.
Em termos simples e diretos, justiça, em um estado de direito, é o que está de acordo com as leis. Contudo, socialmente falando, será que todas as leis são justas? É correto tratar de maneira igual pessoas que vivem em condições desiguais?
Acreditamos que não. Contudo, a maior parte das leis e políticas existentes são postas em prática unicamente para manter o status quo, de forma que não interesse de quem elabora tais políticas que as condições se alterem muito. Em razão disso, mesmo com o claro avanço econômico que alguns países passaram nos últimos anos, como o Brasil por exemplo, não parece ter alterado muito a condição de miséria de algumas pessoas e a latente desigualdade social.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SANTOS, Maria Paula Gomes dos. O Estado e os Problemas Contemporâneos. Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração / UFSC, 2012.
Disponível em:< http://www.estudoadministracao.com.br/ler/filme-ilha-das-flores-resenha-critica/>. Acesso: 24/06/2017

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O mapa do mundo está definido?



Conflitos Étnicos

Os Conflitos Étnicos envolvem questões religiosas, territoriais, políticas e culturais. O embate entre grupos ou comunidades com características diferenciadas muitas das vezes resulta em genocídio.
Os Conflitos Étnicos são antigos na história da humanidade. Ainda na pré-história, segundo alguns antropólogos, os Neandertais foram extintos em função de um conflito causado por diferenças étnicas contra os Homo sapiens. Assim, vários outros povos também sofreram com aniquilações no decorrer do tempo. Na Idade Média, foram vários os conflitos ocorridos por interesses de um reino dominar o outro que possuía origens culturais diferentes. Houve também as Cruzadas, um dos casos mais emblemáticos do período. Em linhas gerais, tratavam-se do embate entre cristãos e muçulmanos.
Na Idade Moderna, houve um dos maiores genocídios da história humana. Em meio ao processo de expansão marítima, os Espanhóis chegaram até a América e encontraram um povo com características bem distintas, os índios. Com o intuito de colonizar as novas terras e enriquecer os cofres espanhóis com metais preciosos, cerca de 70 milhões de nativos foram mortos.
O termo Conflito Étnico identifica qualquer conflito que tenha em sua essência o choque de pessoas com origens religiosas, raciais, culturais ou geográficas. O enfrentamento violento está sempre presente e por vezes as ações são tão extremizadas que violam as determinações do Código de Guerra. É o caso do genocídio, que leva a morte milhares ou milhões de pessoas, sem distinção entre civis e militares, homens, mulheres ou crianças. Em alguns casos, especialmente no Oriente Médio, o termo Conflito Religioso é usado no lugar de Conflito Étnico porque os motivos religiosos são bem mais destacados em relação aos demais.
A lista de Conflitos Étnicos é enorme. Para o continente europeu podemos citar: o Conflito nos Bálcãs, que colocou em choque as várias nacionalidades que compunham a Iugoslávia, levando ao seu esfacelamento; o processo de independência da Bósnia, que colocou croatas, sérvios e muçulmanos em conflito, resultando em uma limpeza étnica dos não sérvios na região; a Guerra do Kosovo, onde a população que ansiava por direitos para a população de origem albanesa foi massacrada; a Questão Basca, no qual um povo com identidade e cultura própria no norte da Espanha luta por sua independência; a Questão Irlandesa, que deseja conquistar a independência da Irlanda em relação ao Reino Unido; e os Conflitos no Cáucaso, que geram disputam entre as cerca de 50 etnias que vivem na região.
No continente Asiático há, por exemplo, o Conflito Étnico na Caxemira, onde há resquícios do fim do imperialismo inglês que colocam em confronto as etnias da região. O Sri Lanka é uma ilha habitada por diversas etnias que enfrentam-se, principalmente, por questões religiosas. A Indonésia vivencia a opressão que uma maioria muçulmana impõe sobre uma minoria católica. O mesmo tipo de confronto ocorre nas Filipinas. A China enfrenta os movimentos separatistas em aproximadamente 40% do território por causa das diferenças culturais e da insatisfação com as exigências impostas com a revolução socialista. E, por fim, os Curdos representam o maior povo sem Estado no mundo. Vivendo no Oriente Médio, buscam a independência de um território para seu povo.
Atualmente, o caso mais latente na América é o do Quebec, província canadense com uma cultura francesa. Diferentemente do restante do país que traz as marcas da colonização inglesa. A província de Quebec tentou ser independente, mas continua como parte do Canadá. Para amenizar a situação, o francês foi declarado oficialmente como segunda língua no país.
E, por fim, o continente africano que é marcado por uma série de Conflitos Étnicos. A maioria dos problemas africanos estão ligados a fatores desse tipo, o que é uma consequência da exploração que as potências capitalistas desenvolveram no continente. No século XIX, a África foi toda dividida entre os países imperialistas que buscavam suas matérias-primas e as zonas de influência no continente. A divisão do território foi toda feita sem se levar em consideração as diferenças étnicas em cada região, deixando, muitas vezes, grupos rivais, ou, pelo menos, de práticas culturais muito distintas vivendo em um mesmo território. As conseqüências desse processo são vistas até hoje, marcando os grandes problemas de instabilidade social e política no continente. No caso africano, podemos citar o Genocídio de Ruanda, no qual milhares de tutsis foram mortos por hutus; os conflitos no Chifre da África, ocasionando em devastação da região; e os Conflitos na Nigéria, onde há confrontos entre grupos religiosos e o governo do país.

Disponível em:< http://www.infoescola.com/historia/conflitos-etnicos/>. Acesso: 01/05/2017

Curdos


O povo curdo (Kurd, em língua curda) é uma etnia de origem iraniana, nativa do oriente médio, que conta atualmente com uma população de cerca de 20 a 36 milhões de pessoas. A área onde originalmente vivem encontra-se dividida entre quatro países, Turquia, Iraque, Irã e Síria e recebe o nome de Curdistão, com uma área de cerca de 300 mil km².
Seu idioma é o curdo, uma língua iraniana, a cujo grupo pertencem entre outras línguas o persa, o osseta (falado na região de Ossétia do Norte e Ossétia do Sul, no Cáucaso), e o pachto (principal língua do Afeganistão); além desta, vários curdos falam um grupo de seis línguas de importância menor: Gorani, Bajelani, Kirmanjki, Dimli, Sarli e Shabaki. A religião predominante entre os curdos é o islamismo. Em seu modo de vida tradicional, constituem um agrupamento de famílias que vivem em forma de tribos, trabalhando na suas atividades mais comuns, como o pastoreio e fabricação artesanal de tapetes.
Acredita-se que os curdos tenham uma origem multirracial, incluindo-se em sua composição povos como os medos, armênios, persas e turcos. Conquistam a cidade de Nínive em 612 a.C. e em 550 a.C. são por conquistados pelos persas. No século VII de nossa era, os curdos convertem-se em sua maioria ao islamismo, e seus primeiros principados se formam no século X. Apesar de nunca constituírem um estado independente, mas desfrutaram de relativa autonomia até 1639. Neste ano o Curdistão é repartido entre os impérios Persa (Irã) e Otomano (Turquia).
A partir daí, sucessivos arranjos foram realizados em território curdo de acordo com as disputas políticas internacionais. Após a Primeira Guerra Mundial, com o desmembramento do Imperio Otomano, parte do Curdistão foi integrada ao Iraque e a outra continuou parte da Turquia. Em 1924, com o novo regime turco, a língua, a cultura e as instituições curdas são suprimidas, tendo em vista o seu aniquilamento como cultura e etnia diferenciada. Durante a Segunda Guerra os curdos sob domínio do Irã empreendem uma luta armada pela sua independência, e chegam a criar a efêmera República de Mahabad, em 1946, estado reconhecido pela União Soviética, mas logo revertido ao domínio iraniano. Desde então, movimentos separatistas curdos são constantemente reprimidos com violência nos quatro países que ocupam o território do Curdistão. Atualmente, a liderança mais famosa entre tal povo é Abdullah, Ocalan, líder do Partido Trabalhista do Curdistão, que cumpre uma pena de prisão perpétua na Turquia.
Bibliografia:
Povo curdo. Disponível em <http://www.infoescola.com/oriente-medio/curdos/l>. Acesso em: 01/05/2017.

Conflito entre Israel e Palestina

 

Os conflitos entre Israel e Palestina nasceram em tempos remotos, pois se enraízam nos ancestrais confrontos entre árabes e israelenses. Mas os embates entre estes povos, que detêm a mesma origem étnica, recrudesceram no final do século XIX, quando o povo judeu, cansado do exílio, passou a expressar o desejo de retornar para sua antiga pátria, então habitada em grande parte pelos palestinos, embora sob o domínio dos otomanos. O ideal judaico de retorno á terra natal de seus antepassados é conhecido como Sionismo, vigente desde 1897, estimulado pela Declaração de Balfour, iniciativa britânica, que dá aos judeus aquilo que até então eles não tinham, direitos políticos próprios de um povo. Neste momento, vários colonos judeus começaram a partir na direção da terra prometida.
Com a queda do Império Otomano, a Inglaterra transforma a região em colônia britânica, instituindo um protetorado - apoio dado por uma nação a outra menos poderosa - na região pleiteada tanto por palestinos quanto por israelenses, o qual se estendeu de 1918 até 1939. Depois do início da Segunda Guerra Mundial, com a perseguição do Nazismo aos judeus, os problemas se agravaram, pois mais que nunca eles desejavam retornar à Palestina, há muito tempo consagrada como um território árabe.
O principal confronto entre palestinos e israelitas se dá em torno da soberania e do poder sobre terras que envolvem complexas e antigas questões históricas, religiosas e culturais. Tanto árabes quanto judeus reivindicam a posse de territórios nos quais se encontram seus monumentos mais sagrados. A ONU ofereceu aos dois lados a possibilidade de dividir a região entre palestinos e israelenses; estes deteriam 55% da área, 60% composta pelo deserto do Neguev. A Palestina resistiu e se recusou a aceitar a presença de um povo não árabe neste território.
Com a saída dos ingleses das terras ocupadas, a situação se complicou, pois os judeus anunciaram a criação do Estado de Israel. Egito, Jordânia, Líbano, Síria e Iraque se mobilizaram e deflagraram intenso ataque contra os israelenses, em busca de terras. Assim, o Egito conquista a Faixa de Gaza, enquanto a Jordânia obtém a área composta pela Cisjordânia e por Jerusalém Oriental. Como conseqüência desta disputa, os palestinos são desprovidos de qualquer espaço nesta região.
A OLP – Organização para Libertação da Palestina –, organização política e armada, voltada para a luta pela criação de um Estado Palestino livre, é criada em 1964. Logo depois, em 1967, os egípcios passam a impedir a passagem de navios israelenses e começam a ameaçar as fronteiras de Israel localizadas na península do Sinai, enquanto Jordânia e Síria posicionam seus soldados igualmente nas regiões fronteiriças israelenses. Antes de ser atacado, o povo israelita dá início à Guerra dos Seis Dias, da qual sai vitorioso, conquistando partes da Faixa de Gaza, do Monte Sinai, das Colinas de Golã, da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental. Em 1982, obedecendo a um acordo com o Egito, assinado em 1979, os israelenses deixam o Sinai.
Em 1973, outra guerra se instaura entre Egito e Síria, à frente de outros países árabes, e Israel, o Yom Kippur, assim denominada por ter se iniciado justamente nas comemorações deste feriado, um dos mais importantes dos judeus, com um ataque surpresa dos adversários. Este embate provoca no Ocidente uma grande crise econômica, pois os árabes boicotam o envio de petróleo para os países que apóiam Israel, mas apesar de tudo os israelenses saem vitoriosos, com acordos estabelecidos em Camp David, território norte-americano. O Egito é o primeiro povo árabe a assinar um tratado de paz com Israel, sob os governos do egípcio Anuar Sadat e do primeiro ministro israelense Menahen Begin. Em conseqüência deste ato, o país é expulso da Liga Árabe.
Mas a paz não dura muito. Em 1982 Israel ataca o Líbano, com o suposto objetivo de cessar as investidas terroristas que seriam empreendidas pela OLP a partir de bases localizadas neste país. Cinco anos depois ocorre a primeira Intifada – sublevação popular assinalada pela utilização de armas rudimentares, como paus e pedras, atirados contra os judeus; mas ela não se resumia só a essas investidas, englobava também vários atentados sérios contra os israelenses. Finalmente, em 1988, o Conselho Palestino rejeita a Intifada e aceita a Partilha proposta pela ONU.
No ano de 1993, através do Acordo de Paz de Oslo, criou-se a Autoridade Palestina, liderada pelo célebre Yasser Arafat. Os palestinos, porém, continuaram descumprindo as cláusulas do tratado por eles firmado, pois a questão principal, referente a Jerusalém, se mantém em aberto, enquanto os israelenses, mesmo dispostos a abandonar várias partes dos territórios ocupados em Gaza e na Cisjordânia, preservam neles alguns assentamentos judaicos. Por outro lado, não cessam os atentados palestinos.
Uma nova Intifada é organizada a partir de 2000. Um ano depois Ariel Sharon é elevado ao cargo de primeiro-ministro de Israel, invade novamente terras palestinas e começa a edificar uma cerca na Cisjordânia para evitar novos atentados de homens-bombas. Em 2004 morre Yasser Arafat, substituído então por Mahmud Abbas, ao mesmo tempo em que israelenses recuam e eliminam encraves judaicos nos territórios ocupados. O terror, porém, continua a agir. Em 2006 ocorre um novo retrocesso com a ascensão do Hamas, grupo de fundamentalistas que se recusa a aceitar o Estado de Israel, ao Parlamento Palestino. Qualquer tentativa de negociação da paz se torna inviável.
As chances do nascimento de um Estado Palestino eram crescentes, mas com a eleição do Hamas, não reconhecido pela comunidade internacional, tudo se complica e as possibilidades de paz se reduzem. Neste momento, por conta de confrontos internos entre os palestinos, eles perdem a maior oportunidade de garantir a soberania sobre o território reivindicado, pois há uma nova escalada do terror. Em 2006 também ocorre o afastamento de Ariel Sharon, atingido por um derrame cerebral que o deixa em coma. Ele é então substituído temporariamente por Ehud Olmert, logo depois consolidado no poder pela vitória de seu partido nas eleições.
Atualmente, a maior parte dos palestinos e israelenses concordam que a Cisjordânia e a faixa de Gaza devem constituir o Estado Palestino; e o Hamas e o Fatah uniram-se para a instauração de um governo de coalizão, à custa de muito sangue palestino derramado, mas esse passo ainda não foi suficiente para instalar a Palestina de volta nas mesas de negociação.
Fontes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Conflito_israelo-palestino
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u105498.shtml
http://www.historiamais.com/israel_arabes.htm

Disponível em:.Acesso:01/05/2017.

O Tibete

O Tibete está localizado no planalto da Ásia, ao norte da cordilheira do Himalaia, e é um território muito disputado. Seu território é considerado um dos mais altos do mundo, com uma elevação que chega a ser de 4.900 metros de altitude sendo chamado por muitos de “teto do mundo”. Seus habitantes são chamados de Tibetanos, mas porém é habitado também por outro grupos étnicos como os monpas, e os lhobas, além das minorias de chineses.
A História do Tibete começa a mais ou menos 2.100 anos atras. Em 127 a.C uma dinastia militar se fixou no território (atual Tibete) e passou a comandar a região, no que mais tarde seria oito séculos de dominação. Esse processo começou a mudar em 617, quando o Imperador Songtsen Gampo começou a transformar a civilização (que até então era um feudo) em um Império. Seu “reinado” durou muito tempo, até 701, e seus feitos também foram muito importantes como: criação do alfabeto Tibetano, estabeleceu um sistema legal, favoreceu o livre exercício religioso do budismo, e construiu vários templos.
A partir do século VII a região tornou-se no centro do lamaísmo, religião baseada no budismo, o que transformou o pais em um poderoso reinado. No século XVII o Tibete é declarado incluído no território Chinês, e a partir disso seguem-se dois séculos de luta pela independência.
Um grupo político de grande importância, e que tem que ser citado se tratando em história do Tibete, é os denominados Dalai Lamas, que esteve no governo do Tibete por um bom tempo. Em 1913, esse mesmo grupo, liderado pelo 13° Dalai Lama, expulsou todos os representantes e todas as tropas Chinesa do território formado atualmente pela Região Autônoma do Tibete. Essa “expulsão dos chineses” pode ter sido visto como uma grande afirmação, que representaria a autonomia do Tibet. Porém essa “independência” não foi aceita pelo governo da China e nem recebeu reconhecimento diplomático internacional algum.
Após uma invasão e uma batalha aguerrida em Chamdo, em 1950, o Partido Comunista da China assumiu o controle da região de Kham, e no ano seguinte o 14° Dalai Lama e seu governo assinaram o Acordo de Dezessete Pontos. Em 1959, juntamente com um grupo de lideres Tibetanos e de seus seguidores, o Dalai Lama fugiu pra Índia, e lá mesmo instalou o Governo do Tibete no Exílio. A partir disso há uma discussão entre o Governo Tibetano no Exílio e o governo Chines a respeito de quando exatamente o Tibete teria realmente passado a fazer parte da China, e se essa incorporação é legitima, de acordo com o direito internacional.

 

Disponível em:< http://www.infoescola.com/historia/historia-do-tibete/>. Acesso: 01/05/2017



A Questão dos Bascos

A questão basca, ou questão dos bascos, é um conflito territorial e étnico surgido no final do século XV e início do XVI com a unificação da Espanha em um só reino e a anexação da porção sul da região à Espanha e da porção norte da região à França.
O País Basco, como pode ser chamado, é composto por sete regiões tradicionais: Álava, Biscaia, Guipúscoa e Navarra que compõem o território de Hegoalde na Espanha, e Baixa Navarra, Lapurdi e Sola que compõem o território de Iparralde na região francesa. Oficialmente, o território de Iparralde é considerado uma parte do Departamento Francês dos Pirineus Atlânticos. E, Hegoalde, é considerada uma comunidade autônoma denominada Euzkadi separada da Comunidade Foral de Navarra, ambas constituintes da Monarquia Constitucional Espanhola.
O povo basco teria ocupado a região da Península Ibérica por volta de 2000 a.C. tendo resistido durante séculos a invasões e à dominação por outros reinos, inclusive os romanos. Sua cultura resistiu ao tempo e às conquistas, se tornando, a língua basca, a língua mais antiga falada atualmente na Europa, mesmo tendo surgido como língua escrita apenas no século XVI o que, apenas contribuiu para fortalecer o espírito nacionalista do povo basco.
A principal característica da questão basca é que os bascos lutam para manter sua identidade como povo, sua língua, cultura e modo de vida. Ao invés de serem incorporados e suplantados por outra cultura, como a maioria dos povos que habitaram a Península Ibérica e a Europa. Outro ponto interessante é o apoio que a luta armada do grupo guerrilheiro ETA (Euzkadi Ta Askatana, que em vasconço significa “Pátria Basca e Liberdade”) tem da população basca. Ou, pelo menos tinha.
O ETA surgiu em 1959 como um movimento socialista fundado através da união de diversos grupos políticos que atuavam na região. Desde a Guerra Civil Espanhola (1936-39) e do bombardeio à cidade de Guernica pelos nazistas alemães como represália ao apoio do povo basco aos republicanos, então aliados dos anarquistas e socialistas e, a proibição do vasconço em todo o território basco pelo general Franco, o sentimento nacionalista basco foi se tornando cada vez mais forte. Estes fatos, também contribuíram para que o ETA decidisse pela luta armada e tivessem o apoio da população.
Mas, com o final da ditadura de Franco em 1975 e os direitos cedidos pela Constituição de 1978 que defende o respeito pela diversidade cultural e lingüística, e de um estatuto especial assegurando à Catalunha, à Galiza e ao País Basco o direito de utilizar suas próprias línguas e ainda outros direitos que lhes confere certa autonomia, a guerrilha do grupo ETA começa a perder força ante a população basca.
Desta forma, em março de 2006 o ETA declara uma trégua que durou apenas 14 meses. O ETA já decretou várias tréguas desde 1981, mas, apenas oito delas foram de fato efetivadas.
Atualmente o Partido Nacionalista Basco (PNV) tenta um acordo com o governo espanhol para a realização até o final de 2008, em caráter consultivo e, até 2010 de forma definitiva, de dois plebiscitos onde o povo basco decidirá sobre o tipo de governo a ser adotado e sobre a relação política entre o País Basco e a Espanha. No entanto, o primeiro – ministro espanhol, José Luis Zapatero, rejeita o plano Ibarretxe, como é chamado o plano lançado pelo PNV. Até lá as expectativas apontam que o ETA deverá decretar mais um cessar fogo como próximo ao plebiscito como manifestação de apoio ao PNV.
Fontes
http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=195
Disponível em:< http://www.infoescola.com/historia/a-questao-dos-bascos/>. Acesso: 01/05/2017
Chechênia

A Chechênia (Noxçiyn, em checheno; Chechênia é na verdade a versão russa para o nome da área) é uma das repúblicas que atualmente compõem a Federação Russa (num total de vinte e uma). O status de república é o maior nível de autonomia possível, garantidas às etnias que não são russas, que adquirem o direito de promover sua própria língua como oficial em todo seu território, manter bandeira e símbolos locais, além de estabelecer constituição própria.
Mesmo com tamanha autonomia, a Chechênia é certamente o caso mais famoso de luta separatista na Rússia desde o colapso da União Soviética em 1991. Localizada no norte do Cáucaso, região plena de movimentos separatistas, a República da Chechênia divide limites com a Ingushétia e Ossétia do Norte a oeste; o Krai de Stavropol a norte; o Daguestão a norte e a leste, e a República da Geórgia ao sul. Desses territórios, todos pertencem à Rússia, com exceção da Geórgia, que constitui um país independente.
Com uma área total de 17.300 km² (equivalente ao estado brasileiro de Sergipe), sua capital é Grozny e as línguas oficiais são o checheno e o russo. O governante é Ramzan Kadyrov, e a religião predominante é o islã da linha sunita, seguida por 94% da população.
A Chechênia causa dores de cabeça aos russos há quase dois séculos. A resistência de Imam Shamil foi finalmente vencida em 1859, depois de uma campanha longa e sangrenta. Seu povo ainda esperaria por mais de 60 anos pela independência, de curta duração, em meio ao caos da revolução de outubro. Em 1922 a república voltava ao domínio russo.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a invasão nazista representou um vislumbre de liberdade do domínio de Moscou. Quando a guerra terminou, Stalin buscou vingança, acusando os líderes chechenos de colaboracionistas. Sua punição foi a deportação em massa para a Sibéria e Ásia Central. Eles foram autorizados a retornar somente em 1957, quando Khrushchev estava no poder no Kremlin.
Após o fim da União Soviética, os separatistas locais já lutaram em duas ocasiões diferentes pela emancipação desta república, em episódios conhecidos como a Primeira e a Segunda Guerra da Chechênia. A primeira ocorre entre 1994 e 1996, quando Boris Yeltsin, presidente russo à época, resolve finalmente enviar tropas para restaurar a soberania russa na área, já que forças locais tinham declarado independência em 1991. Seu desfecho é uma humilhante derrota para o lado russo, que retira suas forças em meio a altas baixas, sendo ainda forçado a celebrar um acordo de paz.
Em 1999 o primeiro-ministro Valdimir Putin organiza nova ofensiva contra os separatistas chechenos, após uma série de atentados a alvos civis desencadeados pouco tempo antes em Moscou. Ao mesmo tempo, os chechenos tentavam duplicar seu movimento no Daguestão, outra república russa vizinha à Chechênia, buscando formar um estado islâmico independente na área das duas repúblicas.
Em resposta, a Rússia dá início à Segunda Guerra da Chechênia, e dessa vez age de forma rápida e decisiva, abafando os focos rebeldes. Desde então, ambos os lados abusam de táticas violentas que desrespeitam os mais básicos direitos humanos. Ações espetaculares de violência gratuita, atingindo mulheres, crianças e idosos em ambos os lados se repetem ano após ano, em meio a um clima permanente de tensão que ronda a área até hoje, pois a questão da Chechênia não foi ainda bem resolvida e seus principais atores não parecem interessados em solucionar a questão por meio do diálogo.


Bibliografia:
SHAH, Anup. Crisis in Chechnya(em inglês). Disponível em <http://www.globalissues.org/article/100/crisis-in-chechnya>. Acesso em: 16 abr. 2012.
Regions and territories: Chechnya(em inglês). Disponível em <http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/country_profiles/2565049.stm>. Acesso em: 16 abr. 2012.
Entenda o conflito na Chechênia. Disponível em <http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI376387-EI294,00-Entenda+o+conflito+na+Chechenia.html>. Acesso em: 16 abr. 2012.

Disponível em:< http://www.infoescola.com/europa/chechenia/>. Acesso: 01/05/2017

O território da Caxemira

A Caxemira (ou “Kashmir”) é uma região montanhosa ao norte da Índia e do Paquistão e que possuía na época da independência da Índia (1947) uma posição vantajosa considerando-se que ficava bem próxima da região do Tadjiquistão, então parte da União Soviética.
Localizada no norte do subcontinente indiano a Caxemira também engloba as regiões de Jammu e Ladakh fazendo fronteira com a China a nordeste. Atualmente a região da Caxemira se divide em quatro áreas diferentes: os Territórios do Norte e a Caxemira Livre, pertencentes ao Paquistão, a região de Jammu e Caxemira pertencentes à Índia e a região de Aksai Chin sob ocupação chinesa.
Os conflitos pela região da Caxemira, ou a questão da Caxemira, se iniciaram no final da colonização britânica, em 1947 logo após a II Guerra, quando todo o subcontinente indiano que até então era dominado pela Inglaterra, foi dividido em dois países, a Índia e o Paquistão.
A divisão se deu através da união das regiões de maioria muçulmana constituindo o Paquistão e das regiões de maioria hindu constituindo a Índia.
Os hindus e os muçulmanos nunca se entenderam muito bem. Para os adeptos do hinduísmo ou do islamismo não se trata apenas de religião, são modos de vida diferentes, visões de mundo diferentes.
A religião hindu, surgida na Índia, reverenciava vários deuses diferentes ao contrário da religião islâmica, trazida por conquistadores, que acreditava num deus único e tinha em Maomé sua figura maior. Sem contar que os hindus viviam em uma sociedade de castas, extremamente hierarquizada, onde não havia igualdade entre os indivíduos, contrastando com o que era pregado pela religião maometana de que todos os homens são iguais perante Deus.
Quando da época da independência da Índia, o líder religioso Mahatma Gandhi (hindu) conduziu milhares de pessoas em uma manifestação pacífica contra a dominação britânica pregando seu sonho de constituir um país único e independente onde todas as etnias e religiões pudessem viver igualmente. Mas, o sucesso do partido criado por ele (Congresso Nacional Indiano) despertou nos muçulmanos,q eu não puderam compreendê-lo, o medo de que os hindus, liderados por Gandhi, constituíssem um estado governado pela sua religião onde eles fossem perseguidos. Nesse contexto, surgiu a Liga Muçulmana para lutar pela divisão da região em dois estados, sendo um deles, de muçulmanos.
Inicia-se então, uma guerra não declarada entre os muçulmanos e indianos que começam a atacar-se mutuamente em uma série de atentados culminando com o assassinato de Gandhi e, com a morte de milhares de hindus e islamitas durante o período de independência enquanto tentavam se deslocar cada qual para o respectivo país que se constituía.
Nesse período o marajá da Caxemira, o hindu Hari Singh, pediu apoio à Índia para se defender da tribo dos Pathans que haviam invadido a região. E, como recompensa, cedeu o território de Jammu e Caxemira à Índia provocando a revolta dos 80% da população da região que eram islamitas. Apoiados pelo Paquistão eles, então, começam a reivindicar sua independência.
A ONU, tentando resolver o conflito, determinou que a própria população da região decidisse de qual estado faria parte através de um plebiscito. Mas, a Índia nunca permitiu que o plebiscito fosse realizado, fazendo eclodir uma guerrilha que já dura a mais de 50 anos, resultou em duas guerras entre os dois países (1965 e 1971) e serviu de pretexto para uma corrida armamentista nuclear.
É importante salientar que a guerra de independência se deu durante o período da guerra fria, com o Paquistão recebendo apoio dos EUA e a Índia da URSS e a região da Caxemira possuía uma posição estratégica. Desta forma, o terreno ficou extremamente propício para que os países iniciassem os testes para produção de armas nucleares visto que tanto os EUA quanto a URSS não gostavam nenhum pouco da idéia de a China Popular ser a única potência em tecnologia nuclear na Ásia. Assim, a Índia realizou seu primeiro teste com uma arma nuclear em 1974 e o Paquistão em 1998 pondo à baixo todas as esperanças de um final para este conflito.

Disponível em:< http://www.infoescola.com/historia/o-territorio-da-caxemira/>. Acesso: 01/05/2017