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sábado, 17 de dezembro de 2011

MASSAS DE AR ATUANTES NO BRASIL



Bolsões de ar influenciam o clima

Ronaldo Decicino*


Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação



Massas de ar são grandes bolsões de ar, ventos de escala planetária que se deslocam, por diferença de pressão, pela superfície terrestre, carregando consigo as características de temperatura, pressão e umidade da região em que se originaram. Para que uma massa de ar se forme é necessário que o ar fique estacionado durante algum tempo sobre uma região que tenha uma distribuição uniforme de temperatura, de modo que o ar possa adquirir suas características. A essas regiões damos o nome de regiões de origem das massas de ar.

À medida que se deslocam, as massas de ar sofrem a influência de outras massas de ar, com as quais trocam calor. Ou seja, da mesma forma como interferem nas condições do tempo, as massas vão sendo influenciadas pelas condições dos lugares por onde passam, até que as características do ar no interior da massa se igualem às do ar do exterior. Então, a massa de ar se dissipa.

Geralmente, as características das massas de ar são muito simples: as oceânicas são úmidas - e as continentais, com raras exceções, secas; as tropicais e equatoriais são quentes - enquanto as temperadas e polares são frias.

Classificação



As massas de ar se classificam em três grandes grupos: massas equatoriais, massas tropicais e massas polares.
Massas Equatoriais: são as massas que se formam nas proximidades do Equador, ou seja, nas áreas de baixas latitudes. São as massas de temperaturas mais elevadas que existem - e apresentam, portanto, baixas pressões em seu interior. A massa equatorial oceânica é, em geral, a massa mais úmida de todas, enquanto a continental, embora muito quente, é um pouco menos úmida.

Massas Tropicais: são as que se formam nas proximidades de cada um dos trópicos - Câncer e Capricórnio -, geralmente em latitudes subtropicais, tanto no hemisfério norte como no hemisfério sul. São massas muito quentes, com pressões médias e baixas, sendo a de origem oceânica bem mais úmida que a continental.

Massas Polares: são as massas que se formam nas proximidades dos círculos polares ártico e antártico, sempre em latitudes superiores a 50o. São as massas mais frias que existem e, portanto, são também massas de pressão muito alta. A continental é a mais fria e mais seca de todas, enquanto a marítima, por ser um pouco úmida, não apresenta temperaturas muito baixas.

Massas de ar que atuam no Brasil

O ar atmosférico está sempre em movimento, na forma de massa de ar ou de vento. Se uma massa de ar possui características particulares de temperatura e umidade, torna-se responsável pelo tempo e, portanto, pelo clima de uma área. Dependendo da estação do ano, as massas avançam para o território brasileiro ou dele recuam. Seus avanços ou recuos é que vão determinar o clima.

Quando duas ou mais massas de ar de características diferentes se encontram, elas não se misturam. Forma-se entre elas uma zona de transição, que recebe influências das massas envolvidas e que, por isso, se apresenta como uma zona de instabilidade meteorológica. Essa faixa de ar recebe o nome de frente.

Quando ocorre o encontro de duas massas quentes, forma-se uma frente quente. Quando há o encontro de duas massas frias, ou de uma fria e uma quente, forma-se um frente fria. No caso do Brasil, destaca-se o fato de que o nosso território recebe a influência de cinco grandes massas de ar, conforme quadro abaixo:





Massas
Características
Massa Equatorial Atlântica(mEa)
Quente e úmida, dominando a parte litorânea da Amazônia e do Nordeste em alguns momentos do ano, tem seu centro de origem no Oceano Atlântico.
Massa Equatorial Continental (mEc)
Quente e úmida, com centro de origem na parte ocidental da Amazônia, domina a porção noroeste da Amazônia durante quase todo o ano.
Massa Tropical Atlântica (mTa)
Quente e úmida, originária do Oceano Atlântico, nas imediações do trópico de Capricórnio, exerce enorme influência sobre a parte litorânea do Brasil.
Massa Tropical Continental (mTc)
Quente e seca, se origina na depressão do Chaco e abrange uma área de atuação muito limitada, permanecendo em sua região de origem durante quase todo o ano.
Massa Polar Atlântica (mPa)
Fria e úmida, forma-se nas porções do Oceano Atlântico próximas à Patagônia. Atua mais no inverno, quando entra no Brasil como uma frente fria, provocando chuvas e queda de temperatura.


Observação: o território brasileiro sofre a ação de cinco massas de ar. Três delas são mais atuantes durante o todo o ano: a Equatorial Continental, a Tropical Atlântica e Polar Atlântica que, embora ocorra com mais frequência no inverno, quando entra no Brasil, como uma frente fria, pode ocorrer também em outros meses do ano

DECICINO, Ronaldo. Massas de ar atuantes no Brasil. Disponível em:< http://educacao.uol.com.br/geografia/massas-de-ar.jhtm<. Acesso em 17 de dez. de 2011.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

TERREMOTOS

Tremor causa primeira morte no país
 
Manuela Martinez*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
O vilarejo rural de Caraíbas, em Itacarambi, Minas Gerais, entrou para a história do Brasil no dia 9 de dezembro de 2007. Nessa pequena localidade um terremoto causou a primeira vítima no país, a menina Jesiane Oliveira da Silva, de cinco anos, morta devido ao desabamento da parede do quarto onde dormia.

Normalmente provocados por movimentos na crosta terrestre, composta por grandes placas de rocha (chamadas placas tectônicas), os terremotos podem durar segundos ou até mesmo minutos.

O tremor de Itacarambi teve intensidade de 4,9 graus na escala Richter e, além da morte da menina Jesiane, deixou cinco feridos e várias casas destruídas. O maior abalo sísmico registrado no Brasil atingiu 6,6 graus e ocorreu na Serra do Tambador, no Mato Grosso, em 31 de janeiro de 1955.

As principais conseqüências de um terremoto são a vibração do solo, deslizamentos de terra, aberturas de falhas, tsunamis ou mudanças de rotação da Terra. As regiões próximas às placas tectônicas são mais suscetíveis aos terremotos, como, por exemplo, o oeste da América do Sul e algumas localizações do oceano Pacífico. Apesar de provocarem grandes destruições, os terremotos, muitas vezes, não são percebidos pela população ou são considerados leves.

Intensidade dos terremotos

A intensidade dos terremotos é medida principalmente pela escala Richter, fórmula matemática que determina a largura das ondas. Esta escala foi desenvolvida na década de 30 do século passado por Charles Francis Richter (geofísico e sismólogo americano) e Beno Gutenberg (sismólogo alemão), que trabalharam no Instituto de Tecnologia da Califórnia. A escala Richter não tem limite máximo, mas, de acordo com os principais institutos do mundo, os terremotos com até 1,9 grau somente são notados pelos sismógrafos.

Entre 2,0 e 3,9 graus, os terremotos causam poucos danos, mas são sentidos. Tremores com magnitudes entre 4,0 e 4,9 podem quebrar janelas, lâmpadas e outros objetos. Entre 5,0 e 5,9 graus, podem provocar danos menores em edifícios bem construídos, mas podem causar maiores danos em outros.

Um terremoto entre 6,0 e 6,9 na escala Richter pode ser devastador numa zona de 100 km. Já os terremotos com magnitudes entre 7,0 e 7,9 podem derrubar prédios e provocar catástrofes, como o que aconteceu em junho de 1990, no noroeste do Irã, quando um terremoto de 7,5 graus deixou cerca de 60 mil mortos, de acordo com o governo.

Em 1993, o Estado de Maharashtra, na Índia, foi atingido por um terremoto de 6,4 graus, que provocou a morte de 7.601 pessoas e deixou mais de 15 mil feridos. Em 1998, dois terremotos mataram cerca de 10 mil pessoas no Afeganistão.

Tsunami de 2004

No dia 26 de dezembro de 2004, aconteceu uma das maiores catástrofes de todos os tempos. Na ilha de Sumatra, na Indonésia, um terremoto de 8,9 graus Richter provocou um tsunami, cujas ondas gigantes mataram pelo menos 280 mil pessoas em 12 países da Ásia e África.

Os países mais atingidos pelo tsunami foram a Indonésia (cerca de 122 mil mortos), o Sri Lanka (pelo menos 39 mil), a Índia (cerca de 11 mil) e a Tailândia (pelo menos 5.300 mortos).

Além da Richter, existe também a escala Mercalli, que varia de zero a 12 pontos, para aferir a intensidade de um tremor. No entanto, esta escala, criada pelo sismólogo italiano Giuseppe Mercalli, é menos utilizada.

Tremores no Brasil

Ao contrário do que acontece com os Estados Unidos e o Japão, países onde, historicamente, sempre acontecem grandes terremotos, o Brasil fica em cima de uma grande e única placa tectônica. Nos Estados Unidos e Japão existem duas ou mais placas e as falhas que ocorrem entre elas são a principal causa dos grandes tremores.

No Brasil, de acordo com especialistas, as falhas são provocadas por pequenas rachaduras causadas pelo desgaste da placa tectônica. Antes da morte da menina no interior de Minas Gerais, os sismógrafos registraram, nos últimos anos, pequenos tremores no Brasil: em Brasília (DF), em 2000; em Porto dos Gaúchos (MT), em 1998, e em João Câmara (RN), em 1986 e em 1989.
 
 

domingo, 20 de novembro de 2011

DERIVA CONTINENTAL

Pangéia deu origem aos continentes



Adriana Furlan e Ronaldo Decicino*
Especial para Página 3 Pedagogia & Educação



A teoria de que os continentes não estiveram sempre nas suas posições atuais foi sugerido pela primeira vez em 1596 pelo holandês Abraham Ortelius, conhecido como pai do Atlas Moderno.

Ortelius também é responsável pelo Theatrum Orbis Terrarum (1570), considerado o primeiro Atlas da Idade Moderna, uma obra desenhada à mão, com 139 mapas coloridos.

Foi Ortelius quem sugeriu que as Américas "foram rasgadas e afastadas da Europa e África por terremotos e inundações" e acrescentou: "os vestígios da ruptura revelam-se, se alguém trouxer para a sua frente um mapa do mundo e observar com cuidado as costas dos três continentes." Essa idéia de Ortelius seria retomada no século 19.

Laurásia e Gondwana

Há 200 milhões de anos existia um único supercontinente: o Pangéia. Ele se fragmentou há 130 milhões de anos em Laurásia (América do Norte e Eurásia) e Gondwana (América do Sul, África, Índia, Austrália e Antártida) e, há 84 milhões de anos, houve a separação entre a América do Norte e Eurásia e entre a América do Sul, África, Oceania e Índia, que se tornou uma ilha no oceano Índico.

Por fim, a Índia colidiu com a Ásia, juntando-se ao continente, conforme figura abaixo:




Segundo a teoria da deriva continental, o supercontinente Pangéia dividiu-se há cerca de 225 - 200 milhões de anos, tendo-se posteriormente fragmentado até produzir os continentes atualmente existentes



Somente em 1912 é que a idéia do movimento dos continentes foi seriamente considerada como uma teoria científica designada por "Deriva dos Continentes" e publicada em dois artigos pelo meteorologista alemão Alfred Lothar Wegener. Ele argumentou que há cerca de 200 milhões de anos, ainda na Era paleozóica, havia um supercontinente "mãe" - Pangéia - e um gigantesco oceano chamado Pantalassa.

O Pangéia começou a fraturar-se, primeiro se dividiu em dois grandes continentes, Laurásia e Gondwana. Entre os dois, formou-se um mar relativamente raso: o Mar de Tétis.

Laurásia e Gondwana continuaram então a fraturar-se ao longo dos tempos, dando origem aos atuais continentes. A Índia, por exemplo, soltou-se de Gondwana formando uma ilha. Na Era cenozóica as formas dos continentes começaram a se assemelhar às formas atuais.

Era cenozóica

Nessa Era, a Índia se chocou contra o continente asiático com tamanha pressão que do choque entre as placas resultou a formação da cordilheira do Himalaia, onde fica o monte Everest, o mais alto do planeta.

Uma das evidências mais claras da deriva continental é o "encaixe" quase perfeito entre os litorais leste da América do Sul e oeste da África. A separação entre a África e a América do Sul decorreu da movimentação constante das placas tectônicas sobre o manto, movimento esse que aconteceu em todo o planeta.

Pode-se dizer que a posição dos continentes vem se modificando no decorrer da história da Terra. Essa constatação é resultado de estudos recentes, realizados principalmente a partir de meados do século 20.

Esse movimento dos continentes deve-se ao movimento das placas tectônicas, responsável também por abalos sísmicos e atividades vulcânicas.

Fonte:http://educacao.uol.com.br/geografia/deriva-continental-pangeia-deu-origem-aos-continentes.jhtm

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

TERRA

Características, núcleo, manto e litosfera

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação



A Terra é o único planeta do Sistema Solar em que existe vida e água em estado líquido. Sua atmosfera é composta principalmente de nitrogênio e oxigênio, bem como outros gases em menor escala. Além disso, também há outros elementos como cinzas vulcânicas, poeira, sais, microorganismos e vapor d'água, que se distribuem por toda a camada atmosférica.

No sistema solar, a Terra é o terceiro planeta em afastamento do Sol, do qual se localiza a uma distância média de 149,6 milhões de quilômetros. É ainda o quinto maior em tamanho, com um diâmetro de 12.756 quilômetros. Possui um satélite natural, a Lua, que está distante 382.166 quilômetros, em média.

A Terra movimenta-se muito tanto em seu interior quanto no espaço em que está situada. Ao redor de seu próprio eixo, faz o movimento de rotação, ao longo de 24 horas, originando o dia e a noite. Simultaneamente, faz o movimento de translação em volta do Sol, durante um período de um ano, o que origina as quatro estações, o equinócio e o solstício.



A idade da Terra



A teoria científica mais aceita na atualidade para explicar a origem do Universo é a do "Big-Bang". Este seria o estado em que o Universo se encontrava há cerca de 10 bilhões de anos, com temperaturas e densidades altíssimas, quando teria tido início um processo de expansão semelhante a uma grande explosão. Dela se originaram as galáxias, as estrelas, os planetas, etc.

Do mesmo modo que os outros planetas do sistema solar, a Terra deve ter se formado a partir de uma imensa massa gasosa, por meio da condensação e da decantação progressivas da matéria que a constituía, sob o impacto das forças gravitacionais e de diversos processos de transformação energética. Estima-se que isso aconteceu há 4,6 bilhões de anos.



Núcleo, manto e litosfera



O planeta em que vivemos se estrutura em três camadas principais. Primeiramente, o núcleo que se situa em sua parte mais interna e é formado por minerais pesados, como o níquel e o ferro, em estado de fusão, a temperaturas altíssimas: entre 2.500 e 5.000 º C.

Envolvendo este núcleo, encontra-se o manto que se constitui de uma massa pastosa, o magma, que está em constante movimentação, e, às vezes, é lançado à superfície através de vulcões ou de fenômenos tectônicos. Finalmente, vem a crosta terrestre ou litosfera, a camada superficial da parte sólida do globo, formada por três tipos de rocha, como as metamórficas, as sedimentares e as ígneas ou magmáticas.



Fonte: http://educacao.uol.com.br/geografia/terra-caracteristicas-nucleo-manto-e-litosfera.jhtm

sábado, 29 de outubro de 2011

TECTÔNICA DE PLACAS

Movimento de placas muda relevo
Luiz Carlos Parejo*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Quando os pesquisadores do século 19 e início do século passado observavam as diferentes formas de relevo, perguntavam-se por que alguns lugares possuíam montanhas elevadas com picos pontiagudos, outros eram montanhas arredondadas e outros eram planícies (áreas amplas e planas, geralmente muito baixas).

Para tentar explicar a questão, chegaram a propor que a Terra estava se expandindo (crescendo como um pão de queijo ou um bolo no forno) e conforme se expandia apareciam essas diferenças de altitude e formas da superfície (essas desigualdades são chamadas de relevo).

Outros pesquisadores pensavam que a Terra estaria se encolhendo como uma ameixa que seca e ao encolher apareceriam as montanhas e depressões.

Então o pesquisador Alfred Wegener elaborou a teoria da deriva continental.

A teoria foi confirmada com o surgimento da teoria de movimento das placas tectônicas.
Placas tectônicas
A teoria da Tectônica de Placas afirma que o planeta Terra é dividido em várias placas tectônicas (como uma bola de capotão, mas com gomos irregulares e de diferentes tamanhos) que se movimentam, pois estão flutuando sobre o magma (como a lava vulcânica derretida que sai dos vulcões). Ao se movimentarem, formam as montanhas mais recentes (dobramentos modernos), fossas oceânicas, atividade vulcânica, terremotos, cordilheiras meso-oceânicas, tsunamis, etc.

A Terra é formada por várias camadas, as três principais são: núcleo, manto e crosta. Existem várias subdivisões, algumas aparecem na figura abaixo:
 
Camadas da Terra
A crosta é a camada superficial da Terra e é formada, principalmente por silício e alumínio (por isso ela também é chamada de Sial, abreviação dos dois componentes) e o manto é formado principalmente por silício e magnésio (também chamado de Sima) e apresenta subdivisões como a litosfera e a astenosfera; a litosfera faz contato com a crosta e é sólida, enquanto a astenosfera é uma camada de rocha derretida.
Flutuando no magma
As placas apresentam uma densidade menor (em média 2,8) que a do magma (em média 3,2) e por isso as placas "flutuam" no magma da astenosfera que é tão quente (geralmente mais de 1.000ºC) que se apresenta derretido, portanto quase líquido, mas muito viscoso.

Como todo líquido quente, o magma gira e ao girar empurra as placas em um certo sentido. Então, elas podem se chocar:
Zona de convergência

ou se afastar:
Zona de convergência

Os dois processos vão provocar resultados diferentes na superfície terrestre.

Uma grande parte da atividade vulcânica e dos abalos sísmicos mais fortes (terremotos) estão localizados nas bordas das placas tectônicas. Se compararmos os mapas abaixo para relacionar esses fenômenos, perceberemos que os limites das placas tectônicas e a localização dos terremotos e vulcões coincidem e se concentram em volta do oceano Pacífico (por isto esta região é chamada de Círculo de Fogo do Pacífico).